Literatura de Cordel: Cancioneiro popular nordestino impresso em folhetos e expostos à venda em feiras de rua, dependuradas em cordel.
Sinônimos de Cordel: Corda pequena; Barbante; Cordinha; Guita; Cordão; Baraço.
O Cordel que vou postar, é de autoria de: Concriz
EDITORA QUEIMA-BUCHA.
PUBLICADO EM MOSSORÓ, RIO GRANDE DO NORTE, JULHO DE 2007.
" EIS A RESPOSTA DA CARTA DE FERNANDO COLLOR AO DIABO"
Se os leitores não sabem
Do fato que aconteceu
Se ler este meu cordel
Vai saber do que se deu
Da carta que o cão mandou
E Fernando Collor leu.
O Cão escreveu dizendo
Fernando tenha cuidado
Você mentiu para o povo
Agora está empossado
A carestia aumentando
E o povo desempregado.
Você garantiu ao povo
Que depois da eleição
Fazia Reforma Agrária
Para o povo do sertão
Ia gerar mais emprego
Acabava a inflação.
Disse que: a dívida externa
Pagava de uma vez
Acabava a mordomia
Ia arrochar o burguês
Mas o pau só se quebrou
No lombo do camponês.
Até a corrupção
Aumentou cada vez mais
O Brasil que o povo ama
Está andando pra trás
E o seu nome é escrito
No livro que agente faz.
Você usou uma Bíblia
Nas suas campanhas boas
Diga onde está o leite
Que vinha para as pessoas
Foi tudo para os frigoríficos
Que possui em Alagoas?
A renda das estatais
Diga chefe da nação?
O que fez com o dinheiro
Se foi gastar no Japão...
Esqueceu que no Brasil
Não tem mais educação?
O filho do rico estuda
No melhor grupo escolar
O do pobre é diferente
Vai deixar de estudar
Porque os livros são caros
Ele não pode comprar.
O senhor disse também
Vou investir na saúde
Esqueceu que falta água
Pra tirar do pobre o grude
A cólera da sua raça
Vem por riacho e açude.
As compras das bicicletas
Eu acho uma coisa feia
O senhor também dizia
Que ladrão ia pra peia
Me diga se tem alguém
Desse povo na cadeia?
E o dinheiro do povo
O senhor passou a mão
Sendo assim fique sabendo
Que isso é corrupção
Quando chegar no inferno
Irá entrar no ferrão.
Eu fiquei olhando o povo
Que lá em você votou
Muita gente com desgosto
Até se suicidou
O inferno não cresceu
Mas com certeza ele inchou.
Por isso que a gente passa
Por grande dificuldade
Vem gente diariamente
Porque praticou maldade
De político mentiroso
Aqui tem mais da metade.
Aquele que fica impune
Com julgamento adiado
Chegando lá no inferno
Come um cururu assado
Quem tortura aqui na terra
No inferno é torturado.
Fique sabendo que eu
Botei seu nome na lista
Não minta em televisão
Em jornais e em revistas
Que já faz tempo que ando
Com meu carro em sua pista.
Quem desvia verbas públicas
Não se afasta depressa
Têm outros da sua laia
Que também quer entrar nessa
Para enganar ao povo
Com as mais falsas promessas.
Para se ganhar política
Tem que ter força naquela
Ter programa e ter dinheiro
Pra dar feira a clientela
Para depois esquecer
O pessoal da favela.
Fernando Collor Acabou
De ler tudo sem demora
E disse consigo mesmo
Eu vou responder agora
Ele na casa da "Dinda"
E o diabo lá fora.
Fernando Collor escreveu
O que tinha na lembrança
Não quero saber do leite
Que Sarney deu a criança
Menino tomando leite
Termina crescendo a pança.
E sobre a educação
Vou lhe dá uma resposta
Pobre sem aprender ler
Da gente não se desgosta
Ainda sendo humilhado
É essa a minha resposta.
Falar da fome do povo
Isso me dar alegria
O povo passando fome
Morre gente todo dia
Eu fico com o dinheiro
Da aposentadoria.
E sobre a reforma agrária
Eu nem fiz e nem farei
Não darei de graça as terras
Que eu comprei e paguei
Para amanhã ou depois
O pobre querer ser rei.
Peão só presta na peia
Ganhando menos de dez
Doente, passando fome,
Escravo dos coronéis
Pobre é pra viver sofrendo
Por debaixo dos meus pés.
E dinheiro do povo
Ainda vou prestar conta
Eu só quero ver o povo
Igualmente a mosca tonta
Chorando, se maldizendo
E todo dia uma ponta.
Fazendo reforma agrária
Eu vou cair no abismo
Porque nasci na riqueza
Gosto do capitalismo
Reforma e irrigação
É para o socialismo.
Para pobre ter de tudo
Nós não vamos concordar
Que tendo o mesmo direito
Pobre só quer trabalhar
Ganhando muito dinheiro
Nós não podemos pagar.
Mas tudo que acontece
Brevemente eu digo ao povo
Se eu tirar o mandato
Grande banquete eu promovo
Vou dar feira a todo mundo
Venço as eleições de novo.
E mesmo se eu não ganhar
Outro igual a mim ganhando
Tanto faz eu como ele
Não estou me importando
Só é bom se for assim
Tendo quem proteja o bando.
Você disse que o meu nome
Aí no seu livro estar
Não tenho nada com isso
Não vou me preocupar
Quando quiser tirar tire
Querendo deixe ficar.
Você falou no inferno
Isso pra mim é bobagem
Todas as minhas respostas
Leve na sua bagagem
Quero é ser rico na terra
Explorar e ter vantagem.
É muito bom ter dinheiro
Pra gozar a mocidade
Viajar de avião
Fazer o que tem vontade
Ter carro e mulher bonita
É muita felicidade.
Eu acho que era assim
Que todo mundo queria
Pra que pobre com dinheiro
Só basta uma mixaria
Não tem para que comer
Mais de uma vez por dia.
Eu disse mais ao povo
No meu governo era assim
Agora não adianta
Ninguém me achar ruim
Supero seja quem for
E faça-me um favor
Não escreva mais pra mim.
FIM.
Salve!
ResponderExcluirEspero que vocês gostem desse Cordel.
Eu, particularmente, adorei!
Salve a tudo e a todos!
ResponderExcluirEu adorei legal de mais da conta só bjos.
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