AH! SE EU SOUBESSE!

  Ah! se eu soubesse...
  Não teria perdido
  Tanto tempo assim...
  Mas agora... ai de mim!...

  Quero voltar e não posso.
  As portas da vida me foram cerradas
  Pelos Anjos da Justiça,
  Que não me permitem mais
  Voltar a liça
  Encetando outras caminhadas.

  Vejo aqueles que já me perdoaram,
  Esquecidos dos males que lhes fiz,
  Encerrando de vez suas jornadas
  E adentrando um mundo mais feliz!...

  Ah! se eu soubesse!...
  O quanto doeriam os meus enganos,
  Não teria perdido tantos anos
  Entre os rebeldes, revoltados e ateus!
  Teria usado melhor a minha inteligência
  A fim de entender as leis de Deus...
  Teria dado menor valor às teses da Ciência
  E preparado melhor meu coração
  Para amar e respeitar ao meu irmão.

  Ah! se eu soubesse!...
  Não teria me enganado tanto assim!
  Mas, agora... oh! Senhor!
  Pobre de mim,
  Que não sei nem como recomeçar!

  Mas... oh! Bênção dos Céus!
  Alguém aqui me diz,
  Que eu deixe correr o meu amargo pranto.
  E humilde me curve ante o Poder de Deus...
  Que procure me sentir
  Entre os filhos seus
  A clamar por seu Amor
  Que infinito há de cobrir
  Toda a multidão dos erros meus!...

  Se assim for realmente
  Deixarei que meu pranto corra livremente,
  Lavando as culpas que trago
  Nos refolhos d`alma...
  E sentindo que o Senhor
  Não me negará o Seu Amor
  Eu seguirei em paz, por fim...
  Mas antes de partir,
  Eu peço humildemente:
  Orem por mim!...


                                                                                                    R. Valença, 1980.


Um comentário:

  1. Salve!

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